.tanta coisa que fica por dizer. dizemos às vezes. e tanta pressa de chegar a nenhum lado. eu digo que a solidão é o único vagar equivalente ao tempo que nos trespassa de noite. e a noite o que é que diz? a noite esconde-nos na ilusão de reter uma memória para sempre. esconde-nos do cheiro que paira nas dúvidas. e volta a esconder-nos atrás das palavras. se os espelhos não devolvessem apenas ilusões ouviríamos claramente o pêndulo das horas a inclinar-nos os ombros para o chão. mas no esgar recortado no espelho não está latente o avesso. somente a feição benéfica. e tudo o que eu preciso é de um gesto verdadeiro. não precisa de ser novo. apenas que se demarque da zona de conforto patológico do falso brilho.
diremos sempre que nos ficou tanta coisa por dizer. e no entanto bastaria qualquer coisa estrondosamente relevante como um silêncio verdadeiro.
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